Processos Educacionais em saúde Saúde Coletiva

Tensão na formação de profissionais para o Sistema Único de Saúde

Com o amadurecimento, o pequeno grupo aprofundou-se no conceito do chamado Paradigma da Racionalidade Técnica (ou epistemologia positivista da prática). Nela,

“a atividade profissional consiste na solução instrumental de um problema feita pela rigorosa aplicação de uma teoria científica ou uma técnica” (SCHÖN 1983, p. 21).

De acordo com essa visão, a prática educacional é baseada na aplicação do conhecimento científico e questões educacionais são tratadas como problemas “técnicos” os quais podem ser resolvidos objetivamente por meio de procedimentos racionais da ciência (DINIZ-PEREIRA,2014). A hipótese então permeou a relação que tal paradigma implica no status quo do indivíduo, uma vez que tal modelo, é um dos vários, utilizados para manter a lógica financeira vigente, principalmente, em países em desenvolvimento.

Em contraponto, é necessário pontuar, que a

(….) racionalidade crítica, a educação é historicamente localizada – ela acontece contra um pano de fundo sócio-histórico e projeta uma visão do tipo de futuro que nós esperamos construir –, uma atividade social – com conseqüências sociais, não apenas uma questão de desenvolvimento individual –, intrinsecamente política – afetando as escolhas de vida daqueles envolvidos no processo – e finalmente, problemática – “seu propósito, a situação social que ele modela ou sugere, o caminho que ele cria ou determina relações entre os participantes, o tipo de meio na qual ele trabalha e o tipo de conhecimento para o qual ele dá forma” (CARR e KEMMIS: 1986, p. 39).

Logo, existe, uma tensão de forças sobre o papel da educação e a qual paradigma este conjunto de valores e ações está subserviente.

De algum modo, pode-se chegar a inúmeras perguntas de como a formação do trabalhador do Sistema Único de Saúde (SUS) – considerado um front de resistência contra a lógica vigente – pode acentuar conflitos e resistências ou como diminuí-la em experiências exitosas. E a relação supracitada extrapola o campo educacional ou de formação da mão-de-obra e capilarmente se irradia para todos os subgrupos inseridos no sistema, no que Focault (1979) e seu grupo de estudo já evidenciava em meados da década de 70.

REFERÊNCIAS

DINIZ-PEREIRA, J.E. Da Racionalidade Técnica à Racionalidade Crítica: Formação docente e transformação social. PERSPEC. DIAL.: REV. EDUC. SOC., Naviraí, v.01, n.01, p. 34-42, 2014.

FOUCAULT, M. (1979a). “O nascimento da medicina social”. In: Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal.

SCHÖN, D. The reflective practitioner. New York: Basic Books, 1983.

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