Palácios Cinzas Poesias Nonsense

Capítulo I – 13:15

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Prólogo

Seria imprudência querer relatar a opinião de como as coisas se passam na cabeça dos cabeças? Haverá problema se a ficção elucidar o que acontece por trás das portas de carvalho na política na Bruzundanga? Talvez o 50 tons de cinzas da política nacional?
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Capítulo I – 13:15

Ele estava no trono, lendo mais um capítulo daquele blábláblá juvenil: empresário rico, estudante de literatura virgem, milhares de dólares, algemas, chicotes, submissão…
Era algo libertador, afinal passou os últimos dias entre cochilos instantâneos e agudas cefaleias na expectativa de seu nome estampado na manchete de um tabloide qualquer. Uma vida inteira de mordomias em prol do povo fadadas a indescritibilidade da opinião pública.
As peças em seu tabuleiro, incluíam a guilhotina galega à espera da cabeça da presidenta, porém nada disso faria que o tal perdesse sua rotina de leitura, estava engajado nos 50 tons de cinzas.
hall-de-entrada
Ele entrava no gabinete, tirava os sapatos Armani, afrouxava a gravata, tirava o broche surrado com a bandeira do Brasil, pendurava o terno de Qiviuk na cadeira colonial. Antes de desligar o Iphone, avisava a subordinada da ante-sala:
– Não estou para ninguém, reunião do Estado!
***

Fumaça e uísque

Por vezes, a ficção se figurava emoldurada em imagens reais criadas segundo a segundo. Os pés sobre a escrivaninha que já foi utilizada pelo imperador, confeccionada em pau brasil e um mapa territorial de meados do século XVIII na parede fazia sombra a maciça porta de cerejeira, trancada por dentro.
Um copo, duas pedras de gelo, uísque de reserva particular, nunca foi chegado em produtos nacionais.
Sempre muita concentração ousava em imaginá-la, sem o casual vestido vermelho-preto. Mãos pressionadas com força nos azulejos do principal toalete do Palácio do Jaburu.
Foi nesta vez, que o duelo pelo poder ficou em segundo plano. O charuto cubano, legado ideológico daesquerda-caviar, esfumaçou toda a sala do palácio infiltrando dentro das páginas de surrados livros que contavam a história do país.
– Preciso de limpeza, limpe os tapetes…
charuto
***

“Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota”

Afinal, a cada linha lida, a cada telefonema, a cada diretriz para a estratégia política do partido: vamos conquistar a Bruzundanga; o almofadinha-fã-de-novinhas deixava-se levar pelas posições, gemidos e momentos de taquicardia ocasionadas pela pílula azul desbloqueando o lava-jato jovial em companhia com a dama de ferro dos pampas.
Naquela tarde, uma chuva fina e a respiração quente combinada com a fumaça do cubano terminaria sem final feliz e o motivo não seria algum problema do economês burguês, ou, sobre teorias que explicassem a subserviência das classes miseráveis aos burgueses.
O telefone vermelho tocou!

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