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Capítulo VII

Capítulo VII – O plano, manifestações e a massagem

xilo

VII – O plano, manifestações e a massagem

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Se sentido descolado, Wilson chegou ao local do encontro. Baiano já esperava impaciente. Estava no décimo cigarro, jogava as bitucas, como de práxis, na calçada. Estava encostado num Opala 77 sob o sol de outono.
Wilsinho caminhava na calçada, com os tênis Nike – cano longo, surrados e desamarrados. Fones enfiados nos ouvidos com trilha sonora marginal.
– Tu demorou, Wilsinho!
– Fala brô, o que manda? Indagou Wilsinho, tirando os fones para conseguir entender o motivo de tanta impaciência.
– Tu pega esse pendrive, leva até uma cidade perto de Piracicaba. Entra no prédio da Prefeitura, copia as planilhas e leva até o aeroporto de Guarulhos. Aqui estão os mil e quinhentos antecipados. Tu recebe o restante quando concluir esta simples tarefa. O endereço passei certinho no seu e-mailwberimbau@hotmail.com. Ok?
pendrive
– Só isso? Indagou, espantado, o office boy.
– Sim. Mas você deve entregar o pendrive, no local mencionado, durante as manifestações do dia 12 de abril. Isso é importante, malandro.
– Ok, brô! Disse se despedindo, recolocando os fones e pegando o caminho de volta.
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Oras, caro leitor. Nem tudo o que parece é, inclusive, na política. 
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Com um barão e meio no bolso, Wilson desceu a favela. Tomou um rápido banho. Tratou o vira-lata e seguiu para a casa de massagem da bocada.
Entrou, sob efeito da luz branca, e pediu, assim como pedia um dose, as três melhores loiras à disposição. Sentou no sofá rasgado, eram 13h13. Cruzou as pernas, se viu consumido pela adrenalina que antecede o coito.  Olhou no relógio, desligou o celular, soltou as tranças amarradas com um elástico inofensivo. A taquicardia foi o ápice da paranóia, antes da matriarca, conhecida como Márcia Bocão, lhe chamar:
– Elas já estão prontas. Desculpe a demora, mas tive que chamar uma menina que não estava em horário de expediente.
Wilson, então, afundou o pendrive no bolso da bermuda, amontoou as notas de cem nas meias e caminhou para o matadouro de inocentes…
“Amou daquela vez como se fosse máquina. Beijou as mulheres como se fosse lógico. Ergueu no patamar quatro paredes flácidas. Sentou pra descansar como se fosse um pássaro. E flutuou no ar como se fosse um príncipe…”
favelas
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