Política

Bolsonarismo: a culpa é de quem?

De quem é a culpa pelo suposto mal que avança, democratimanete, no país?

Fácil é jogar a culpa no eleitor, nobre companheiro.

Partindo do contexto de que para muitos Bolsonaro é a encarnação de Hitler (não concordo com tal argumento) e a ameaça ao Brasil, podemos diagnosticar o quanto o discurso é vazio a subversivo.

Sem entrar no mérito sobre sua candidatura, seu plano de governo (até por que o vejo mais centralizador do que liberal) é preciso que a esquerda assuma, a posteriori, a culpa.

Se o fato de que o candidato supracitado é o mal encarnado, é preciso pontuar um pequeno detalhe: “correu solto” enquanto a esquerda (incluindo parte grossa do PSDB) se dilacerava por votos para um segundo turno.

Ninguém se aglutinou, adotou uma estratégia de reconciliação nacional para combater o suposto mal? Estranho…

Será que estavam mesmo preocupados com o país?

Com os votos?

Com o “Poder”?

Ou soberbos por não creditarem força a onda anti-petista?

Enquanto os eleitores se atacavam, se agrediam, e defendiam “y” ou “z”, o projeto do antipolítico galgou.

No fim das contas, parece-me que o que está em jogo no segundo turno é a sobrevivência do partido do proletariado (na verdade, do lumpemproletariado) que vire e mexe é estampado nas páginas policiais. A vitória, inviável.

Além deste enredo, tem um outro detalhe, não menos importante.

A esquerda nunca se preocupou em manter um projeto de país.

Não soube, do lado centro-“direita” socialista de FHC, defender o seu legado. Sim, para quem não sabe, nas entranhas do PSDB, vive socialistas convictos travestidos de bom samaritanos do Welfare States.

E do outro, o projeto centro-esquerda, deu de ombros para seus antigos aliados. Alguém se recorda? Primeiro, a criação de uma casta lulopetista. Depois a soberba de Dilma que culminou no impeachment.

A esquerda era, no ponto de vista dos petistas, somente eles e seu projeto contra-hegemônico de usar o modus operandis do campo político para criar uma “revolução” dos países pobres abaixo do equador.

Foi o poder pelo “Poder”. “Nós” contra os “outros”.

Destruíram, então, a economia. Dilapidaram os cofres. Ignoraram as leis e mataram a esperança dos que um dia votaram contra o medo.

São estes descamisados desesperançosos da classe média, que agora, querem punição judicial e política aos malfeitores.

O lumpeproletariado matou a chance de que políticas “a esquerda” consolidassem. Preocuparam-se com triviais vaidades.

Eles são os culpados!

Não a Justiça, Moro, ou o eleitor.

A reunificação nacional seguirá a tendência: ou chegamos no fundo do poço e saímos as ruas para reconstruir país.

Ou, na hipótese mais difícil, o outsider do baixo clero reergue sobre suas costas o destino da República.

Não há outra opção.

Então nobres, vociferantes, compatriotas, a esquerda deve um pedido sincero de desculpa a nação. E uma autocrítica capaz de sepultar este terrível momento.

Aos sorridentes amigos, é preciso ponderar que o pendulo do poder (pêndulo de Newton) que hoje está à direita retornara ao centro, depois, a esquerda.  Logo se torna necessário que tal grupo político se depure e encontre novos caminhos, pois, toda a unanimidade é tola.

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