Sociologia

Ignorância Pluralista auxilia a perpetuar a corrupção brasileira?

É preciso pontuar que como uma norma social é sustentada por expectativas normativas, não é suficiente divulgar publicamente que a maioria dos indivíduos não gosta da norma e gostaria de fazer algo diferente.

Por Antonio Archangelo (antonioarchangelo@gmail.com)

Quando se fala de práticas, por vezes, nos embasamos em equivocadas expectativas empíricas. Ou seja, nem sempre o que acreditamos ser o que acontece, acontece de fato.

Por exemplo,  imagina o caso de que um sujeito X, que é contra a corrupção governamental, mas por acreditar que a opinião do grupo é que a corrupção é aceita no órgão, acaba aderindo as práticas as quais repudia.

É o que chamamos de Ignorância Pluralista, eu sou contra mas ajo igual por acreditar que a opinião do grupo é unânime.

Neste caso, há um paradoxo.  Porque pode ser que o indivíduo X seja honesto, mas pratico atos corruptos por acreditar que essa seja a prática unânime donde está inserido ou que, por ser contrário, faz com que o grupo tenha a expectativa de que pratica atos sintonizados com a opinião do grupo, a qual acredita ser unânime.

Ou: sou corrupto, mas prático atos de honestidade por acreditar que essa seja a prática unânime na sociedade onde estou inserido. Pelo menos até onde vigiam-me.

Ou: sou corrupto, finjo atos de honestidade por acreditar que essa seja a prática unânime na sociedade onde estou inserido.

Em um estado de ignorância pluralista, os indivíduos são apanhados em uma armadilha de crenças e continuarão seguindo uma norma que não gostam profundamente. Quanto tempo isto pode durar? Pode-se suspeitar que uma norma tão antipatizada não seria estável, já que mesmo pequenos choques no sistema de crenças que a sustentam levariam à sua extinção. Uma vez que a frequência de crenças verdadeiras é transmitida à população relevante, ocorrerá uma mudança. Essa mudança pode ser viável com uma norma descritiva, mas é muito mais difícil de obter no caso de uma norma social (Bicchieri, 2016)

É importante ressaltar que as taxas de participação em determinado ato (normalmente, taxas de consumo) são mais baixas do que parecem. 

Quando implementada adequadamente, é eficaz no combate às normas descritivas que sofrem de ignorância pluralista (que são apoiadas por expectativas empíricas imprecisas), mas não na mudança de práticas independentes, como costumes (se você informar às pessoas que menos colegas usam guarda-chuvas) do que eles pensavam anteriormente, por que deveriam se importar?) ou normas sociais, que são apoiadas adicionalmente por expectativas normativas (Bicchieri, 2016)

Ou seja, podemos inferir, que nem sempre o paladino anticorrupção é de fato honesto e vice-versa. 

É preciso pontuar que como uma norma social é sustentada por expectativas normativas, não é suficiente divulgar publicamente que a maioria dos indivíduos não gosta da norma e gostaria de fazer algo diferente. Os participantes também devem ter certeza de que seu abandono não será seguido por sanções negativas. 

Qualquer mudança bem-sucedida deve mudar as expectativas empíricas e normativas, sua ordem relativa, dependendo se uma norma está sendo criada ou abandonada. 

REFERÊNCIAS

Bicchieri, C. (2016). Diagnosticando normas. Em Normas em estado selvagem (1ª ed). Oxford, Reino Unido: Oxford University Press.

* Texto em cumprimento as atividades da Week 4, do curso “Social Norms, Social Change I” pela Universidade da Pensilvânia & Unicef. Professora: Cristina Bicchieri

Pluralistic ignorance helps to perpetuate Brazilian corruption?

By Antonio Archangelo (antonioarchangelo@gmail.com)

When talking about practices, we sometimes rely on mistaken empirical expectations. That is, not always what we believe to be what happens, actually happens.

For example, imagine the case that a subject X, who is against government corruption, but because he believes that the group’s opinion is that corruption is accepted in the body, ends up adhering to the practices which he repudiates.

It is what we call Pluralistic Ignorance, I am against it but I act the same because I believe that the group’s opinion is unanimous.

In this case, there is a paradox. Because it may be that individual X is honest, but I practice corrupt acts because I believe that this is the unanimous practice of where he is inserted or that, by being contrary, makes the group have the expectation that he practices acts in line with the group’s opinion , which he believes to be unanimous.

Or: I am corrupt, but I practice acts of honesty because I believe that this is the unanimous practice in the society where I am inserted. At least as far as they keep an eye on me.

Or: I am corrupt, I pretend acts of honesty for believing that this is the unanimous practice in the society where I am inserted.

In a state of pluralistic ignorance, individuals are caught in a trap of beliefs and will continue to follow a norm that they dislike deeply. How long can this last? It can be suspected that such a disliked norm would not be stable, since even small shocks in the belief system that support it would lead to its extinction. Once the frequency of true beliefs is transmitted to the relevant population, a change will occur. This change may be feasible with a descriptive standard, but it is much more difficult to obtain in the case of a social standard (Bicchieri, 2016)

It is important to note that participation rates in a given act (usually consumption rates) are lower than they appear.

When properly implemented, it is effective in combating descriptive norms that suffer from pluralistic ignorance (which are supported by imprecise empirical expectations), but not in changing independent practices, such as customs (if you inform people who have fewer colleagues use umbrellas) than they previously thought, why should they care?) or social norms, which are further supported by normative expectations (Bicchieri, 2016)

In other words, we can infer that the anti-corruption champion is not always honest and vice versa.

It is necessary to point out that as a social norm is supported by normative expectations, it is not enough to publicly disclose that most individuals do not like the norm and would like to do something different. Participants must also be sure that their abandonment will not be followed by negative sanctions.

Any successful change must change the empirical and normative expectations, their relative order, depending on whether a standard is being created or abandoned.

REFERENCES

Bicchieri, C. (2016). Diagnosing standards. In Norms in the wild (1st ed). Oxford, United Kingdom: Oxford University Press.

* Text in fulfillment of the activities of Week 4, of the course “Social Norms, Social Change I” by the University of Pennsylvania & Unicef. Teacher: Cristina Bicchieri

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