Método Científico Saúde Coletiva

Revisões sistemáticas: revisões sistemáticas de frequência

Não se trata de observar os efeitos, mas de conhecer a dimensão do problema.

[conteúdo extraído do MOOC: Revisão Sistemática e Meta-análise/2020]

Estimar o impacto

Em alguns casos precisamos revisar sistematicamente a literatura para verificar qual a ocorrência de um fenômeno em determinada localidade. Não se trata de observar os efeitos, mas de conhecer a dimensão do problema. Trata-se de revisão sistemática de frequência. Nesse caso, a pergunta de pesquisa deve especificar a população e o fenômeno de interesse, além de definir o delineamento dos estudos, ficando com a seguinte estrutura:

ITEM COMPONENTEDESCRIÇÃO
PPopulaçãopopulação que se deseja avaliar
ODesfechofrequência do fenômeno
TTipo de Estudodelineamento aceitável para os estudos primários

É possível fazer revisões desse tipo sobre prevalência ou incidência de doenças.

Lembrando que a prevalência refere-se a indivíduos com a doença ou agravo em um período de tempo, é uma foto da situação, que inclui casos novos e casos antigos.

incidência, por sua vez, contabiliza os casos novos em determinado período. Trata-se de um filme.

Vamos observar em um exemplo: Qual a prevalência de depressão em adultos no Brasil?

A pergunta de pesquisa ficaria:

ITEMDESCRIÇÃO
Padultos brasileiros de ambos os sexos
Oprevalência de depressão
Testudo transversal de base populacional

Diante dessa pergunta, será possível estabelecer os critérios de elegibilidade, especificando melhor, por exemplo:

  • a faixa etária da população (incluirá também idosos?)
  • o período recordatório do desfecho (prevalência de depressão na quinzena, no ano ou na vida toda)
  • a forma de aferição do desfecho (diagnóstico clínico por psiquiatra, screening por meio de questionário auto aplicado, depressão autorreferida)
  • o período de interesse dos estudos (qualquer período, última década)

Aplicações das revisões sistemáticas de frequência

Essas revisões têm emprego em diferentes campos, em especial na gestão em saúde, para se estimar o impacto da doença ou agravo no sistema de saúde e melhor planejar as ações de prevenção e controle. Dentre as aplicabilidades práticas das revisões sistemáticas de frequência, destacamos duas áreas:

  • Análise de impacto orçamentário
  • Estimativa da carga de doenças (burden of diseases)

análise de impacto orçamentário compõe a análise para decisão de incorporação de tecnologias em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC). Esse documento precisa estimar a quantidade de pessoas que utilizarão a nova tecnologia (população-alvo) para então calcular o orçamento dessa incorporação. Em doenças ou agravos que carecem de estimativa oficial – geralmente por meio de notificação compulsória ou cadastro de doentes – a elaboração de revisão sistemática de prevalência é uma alternativa para obter estimativas confiáveis da prevalência e estimar a população-alvo que se beneficiaria pela nova tecnologia.

carga de doença estima o impacto das doenças e fatores de risco mais relevantes em saúde pública em termos de morbidade e mortalidade; baseia-se na estimativa dos anos de vida ajustados por incapacidade (disability-adjusted life year, DALY) de determinada doença em cada localidade. O DALY é calculado a partir da mortalidade prematura pela doença, em anos de vida perdidos (years of life lost, YLL) e a morbidade em anos vividos com incapacidade (years lived with disability, YLD). Revisões sistemáticas embasam as estimativas regionais de morbidade e mortalidade e são o ponto de partida para obter a carga de doença.

A iniciativa Global Burden of Disease, publicada pela revista Lancet desde 1990 periodicamente atualiza e publica a estimativa de carga de doenças. Por meio dessa iniciativa é possível interativamente explorar a carga de doenças por grupos etários, sexo, país/estado, ano, dentre outras variáveis, bem como monitorar cada um dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) por país e as causas de morte. Há também publicações específicas de cada país, como a análise subnacional da carga de doenças brasileira. A partir dessa iniciativa, é possível por exemplo observar as tendências de doenças que mais impactam a saúde global e regionalmente, como a síntese abaixo mostra.

Referência

GBD 2017 DALYs and HALE Collaborators. Global, regional, and national disability-adjusted life-years (DALYs) for 359 diseases and injuries and healthy life expectancy (HALE) for 195 countries and territories, 1990-2017: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2017. Lancet. 2018 Nov 10;392(10159):1859-1922. doi: 10.1016/S0140-6736(18)32335-3.

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