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História da Educação Infantil

A partir do momento em que alcançou – se uma consciência sobre a importância das experiências da primeira infância foram criadas várias políticas e programas que visassem promover e ampliar as condições necessárias para o exercício da cidadania das crianças, que por sua vez, passaram a ocupar lugar de destaque na sociedade.

Atualmente pensar em Educação Infantil é algo rotineiro e inimaginável pensar em uma sociedade sem creches e pré-escolas. Porém, antes de aprofundarmos sobre o tema, teremos que recuar e entender o desenvolvimento do conceito de infância e o papel da educação no processo formativo. Afinal o que vem a ser infância? Para o dicionário Michaelis:

Infância: Período da vida, no ser humano, que vai desde o nascimento até a adolescência; meninice.

(MICHAELIS)

EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE

Seja na Grécia ou mesmo no Egito, o papel da educação era de formar a elite seja para governar, seja para garantir o discurso. Ou seja, a escola nasce para formar o jovem da classe dominante. Só depois que se volta para o educar da criança.

Na antiga Grécia, a violência contra a criança era uma realidade. Confira o vídeo:

[…] Numa investigação centrada no estudo da relação entre violência e infância no mundo grego constata-se de imediato que a violência cometida contra crianças – sejam elas divinas, heroicas ou humanas – está amplamente representada na mitologia, na literatura e na arte, pelo menos desde os primórdios da Época Arcaica. Os Poemas Homéricos, a obra de Hesíodo e os poemas do Ciclo Épico acolhem muitos exemplos de abusos e brutalidades praticados contra menores, como ilustram as mortes de Astíanax – arquétipo da criança de tenra idade vítima das leis da guerra – e de Troilo, que não escapa ao furor assassino de Aquiles […]

FERREIRA, 2020, p. 61-62

A escola do bê-á-bá emerge no século V A.C junto com o nascimento da cidade grega (pólis). A escola do alfabeto, naquele momento, atrai as críticas da aristocracia grega que não aceitam a nova modalidade de aprendizagem. Ou seja, a escrita como transmissão do conhecimento devido a deflagração das ideias filosóficas de Platão e Aristóteles. Como exemplo, podemos citar Platão, que defendia que a Escola do Alfabeto poderia fazer com que os jovens negligenciassem a memória, habilidade fundamental no modelo anterior. O conhecimento tem, neste contexto, um papel aristocrático.

O modelo platônico e aristotélico trouxe o conceito de Paidéia.

É então que o ideal educativo grego aparece como Paideia, formação geral que tem por tarefa construir o homem como homem e como cidadão. Em Platão Paideia (…) a verdadeira educação ou Paideia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento (cit. in Jaeger, 1995: 147).

A escola do Alfabeto é transmitida por Roma, assim como a sistematização da educação enquanto política do Estado nos moldes de Aristóteles e com finalidade prática.

A vida nas escolas:

  • Criança tratada como adulto;
  • Método baseado na memorização (mnemônico);
  • Castigos físicos

Tais práticas faziam com que as crianças odiassem a escola.

No ano 6 A.C, o imperador Augusto, durante crise de carestia poupa duas classes de expulsão os médicos e os “mestres”. Com tal ato, evidenciou a importância da classes para a sociedade. Já no ano de 310 D.C foram criados os salários para os mestres:

  • Mestre do Alfabeto: 50 denários mensais;
  • Orador: 250 denários mensais;
  • Advogado: 100 denários por causa.

Alguma coincidência com os dias de hoje?

EDUCAÇÃO MEDIEVAL

Afinal como era a Educação Medieval? Ao contrário do que se possa deduzir, o avanço do cristianismo significou um contraponto aos ideais educacionais propagados pelos gregos, romanos e macedônico. Durante este período, a Educação ficou a cargo da igreja.

No período medieval, o desenvolvimento na educação e seu papel social, pode-se afirmar que:

Pode-se apresentar um argumento contundente para demonstrar que a suposta indiferença com relação à infância nos períodos medieval e moderno resultou em uma postura insensível com relação à criação de filhos. Os bebês abaixo de
2 anos, em particular, sofriam de descaso assustador, com os pais considerando pouco aconselhável investir muito tempo ou esforço em um “ pobre animal suspirante”, que tinha tantas probabilidades de morrer com pouca idade.

(HEYWOOD, 2004, p.87)

O processo de educação na Idade Média era responsabilidade da Igreja. Existiam nesse período medieval escolas que funcionavam anexas às catedrais ou a escolas monásticas que funcionavam nos mosteiros, nesse contexto, a Igreja assumiu a tarefa de disseminar a educação e a cultura no medievo e o seu papel foi preponderante para o nosso legado educacional contemporâneo.

Em geral, à escola da paróquia ou do mosteiro próximo.

Para acontecer o ensino precisava-se de uma autorização, essa era cedida pelos bispos e pelos diretores das escolas eclesiásticas que, com medo de perderem a influência, dificultavam ao máximo essa concessão. Reagindo contra essas limitações, professores e alunos organizaram-se em associações denominadas universitas, que mais tarde originou a palavra universidadesAs universidades eram compostas por quatro divisões ou faculdades.

Durante todo esse período predominou uma concepção de educação que se opunha ao conceito liberal e individualista dos gregos, e ao conceito de educação prática e social dos romanos. O cristianismo passa a dar maior importância ao aspecto moral; baseia-se na ideia de caridade cristão ou amor.

EDUCAÇÃO BURGUESA

“A “descoberta” da infância teria de esperar pelos séculos XV, XVI e XVII, quando então se reconheceria que as crianças precisavam de tratamento especial, “uma espécie de quarentena”, antes que pudessem integrar o mundo dos adultos”

( HEYWOOD, 2004, p.23).

“A fascinação pelos anos da infância, um fenômeno relativamente recente”

(HEYWOOD, 2004, p.13)

A mudança de paradigma no que se refere ao conceito de infância está diretamente ligada com o fato de que as crianças eram consideradas adultos imperfeitos. Sendo assim, essa etapa da vida provavelmente seria de pouco interesse

“Somente em épocas comparativamente recentes veio a surgir um sentimento de que as crianças são especiais e diferentes, e, portanto, dignas de ser estudadas por si sós”

( HEYWOOD, 2004, p.10)

EDUCAÇÃO INFANTIL

Como visto, a formatação do conceito de educação infantil envolve o desenvolvimento cultural e social de dois termos” educação” e “infância” e o papel de cada uma em cada contexto histórico seja na Grécia antiga a Inglaterra burguesa.

No início do século XVII surgem as primeiras preocupações com a educação de crianças pequenas. Isso porque era possível perceber, neste momento, que as sociedades, principalmente as burguesas, já valorizava a criança no seio da família. A sociedade moderna vinha impondo novas formas de relação na sua organização, o que significava transformações nos mais diversos setores da vida social. A educação institucional passa a valorizar o conhecimento científico, tendo em vista a necessidade de compreensão e apropriação do homem pela natureza, para que pudesse alcançar condições necessárias como garantia para maior estabilidade social. Em 1840, o pedagogo alemão Fröebel inova a educação de crianças pequenas com a criação dos Kindergarten Beschäftigungs-Anstalt.

EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL

Assim como muitos elementos da educação formal no contexto brasileiro, a História da Educação Infantil em nosso país apresenta muitos traços comuns com a da Europa Ocidental, embora apresente características próprias, decorrentes de nossas condições sociais, culturais, econômicas e políticas.
O atendimento de crianças pequenas longe da mãe em instituições como creches ou parques infantis, até meados do século XIX, basicamente não existia no Brasil.


As condições de vida do país eram determinantes, sendo que, no meio rural, onde residia a maior parte da população do país na época, as mães de alguma forma conciliavam trabalho e cuidado dos filhos. Até mesmo o acolhimento de crianças sem tutores formais era feito de maneira pessoal e sem uma estruturação oficializada. As crianças órfãs ou abandonadas, frutos em geral da exploração sexual da mulher negra e da indígena pelo senhor branco, eram acolhidas pelas famílias de fazendeiros.

Já na zona urbana, bebês abandonados por suas mães, em geral filhos ilegítimos, por vezes, filhos de moças de famílias de algum prestígio social, eram recolhidos nas “rodas de expostos” existentes em algumas cidades, que eram basicamente ambientes para deixar crianças não desejadas. Ali, pessoas interessadas em criar os bebês poderiam ir recolhê-los.

Referências

FERREIRA, LN. Violência e infância na Grécia antiga: três aspectos de uma problemática. Idades e género na literatura e na arte da Grécia antiga. IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, 2020.

HEYWOOD, Colin. Uma história da infância: da Idade Média á época contemporânea no Ocidente. Porto Alegre: Artmed, 2004.

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