8º ANO educação Língua Portuguesa

AULA 1 – MUITO BICHO

Roteiro de estudos de Língua Portuguesa para a AULA 01 do quarto bimestre de 2020
Olá,

Você está no roteiro de estudos para o QUARTO bimestre elaborado pelo professor Antonio Archangelo, de Língua Portuguesa, da Escola Estadual Januário Sylvio Pezzotti, Rio Claro/SP.

Durante o período de isolamento social, este material garantirá a continuidade de seus estudos visando, sobretudo, manter o vínculo com a comunidade escolar e as metas/objetivos de vida para este ano letivo. Ele é baseado no conteúdo do Caderno do Aluno.

Em cada uma das atividades você terá que:

Assistir as aulas no Centro de Mídias;
Concluir a leitura do Roteiro disponibilizado neste site, no grupo de WhatsApp, no Google Classroom ou impresso na escola;
Concluir a leitura complementar sugerida / Participar do projeto de prática;
Concluir o Exercício proposto;
Participar do Fórum.
OBJETIVO DA AULA
• Reconhecer os elementos da narrativa no gênero textual conto;
• Produzir, oralmente, narrativa curta.

Estudante, vamos começar?

A proposta dessa aula é reconhecer e identificar os elementos narrativos presentes no gênero textual conto. “O conto parte da noção de limite, e, em primeiro lugar, limite físico”, no sentido de que sua breve extensão material (pequeno número de páginas) vem a ser uma de suas principais “marcas” definidoras.

Dicas

  • Grife palavras que desconhece o significado e procure o significado em dicionários antes de avançar na compreensão do texto;
  • Utilize um caderno ou bloco de notas para anotar suas reflexões

Quais livros você leu ultimamente?

Nome do Livro:
  • O que você entende por conto?
  • Sabe apontar alguma diferença entre o conto e outras narrativas?
  • Quais contos vocês já ouviram? Quem contou e qual conto foi?
  • Já leram algum conto? Se sim, onde foi? Na escola, em casa ou em outro lugar?

Após refletir sobre as questões acima, vamos descobrir o que é um conto?

Assista “Conto – Brasil Escola”: https://www.youtube.com/watch?v=c-rge5nGRyk

Em resumo, o conto é um gênero literário marcado pela concisão. Tais narrativas têm, em geral, poucos personagens, espaço e tempo restritos e um conflito único.

Listamos, a seguir, alguns tipos de conto:

  • Conto de ficção científica: caracterizado por ter, em seu enredo, elementos que não existem em nossa realidade, mas que poderiam existir devido ao avanço científico e tecnológico.
  • Conto infanto-juvenil: narrativas voltadas para jovens e crianças. Normalmente, a linguagem utilizada nesses contos é mais simples, e as temáticas são relacionadas a conflitos comuns na vida de seus leitores-alvo.
  • Conto fantástico: com personagens e acontecimentos impossíveis na realidade e não explicados na narrativa, esses contos têm conquistado cada vez mais leitores.
  • Conto de fadas: velho conhecido de muitas pessoas, o conto de fadas é marcado pela existência de fadas e outras criaturas mágicas entre suas personagens. Esse subgênero de conto é especialmente lido por crianças, embora existam narrativas assim voltadas para o público mais velho.

1. Leia com atenção o excerto do conto “Trezentas onças” de J. Simões Lopes Neto.

Texto 1:


Trezentas onças


J. Simões Lopes Neto

Eu tropeava, nesse tempo. Duma feita que viajava de escoteiro, com a guaiaca empanzinada de onças de ouro, vim varar aqui neste mesmo passo, por me ficar mais perto da estância da Coronilha, onde devia pousar.
Parece que foi ontem! … Era fevereiro; eu vinha abombado da troteada. passo, desencilhei; e estendido nos pelegos, a cabeça no lombilho, com o chapéu sobre os olhos, fiz uma sesteada morruda. Despertando, ouvindo o ruído manso da água tão limpa e tão fresca rolando sobre o pedregulho, tive ganas de me banhar; até para quebrar a lombeira… e fui-me à água que nem capincho!

Debaixo da barranca havia um fundão onde mergulhei umas quantas vezes; e sempre puxei umas braçadas, poucas, porque não tinha cancha para um bom nado. E solito e no silêncio, tornei a vestir-me, encilhei o zaino e montei. Daquela vereda andei como três léguas, chegando à estância cedo ainda, obra assim de braça e meia de sol.

— Ah! . .. esqueci de dizer-lhe que andava comigo um cachorro brasino, um cusco mui esperto e bom vigia. Era das crianças, mas às vezes dava-lhe para acompanhar-me, e depois de sair a porteira, nem por nada fazia cara-volta, a não ser comigo. E nas viagens dormia sempre ao meu lado, sobre a ponta da carona, na cabeceira dos arreios.

Por sinal que uma noite…

Mas isso é outra cousa: vamos ao caso. Durante a troteada bem reparei que volta e meia o cusco parava-se na estrada e latia e corria pra trás, e olhava-me, olhava-me e latia de novo e troteava um pouco sobre o rastro;

— parecia que o bichinho estava me chamando! … Mas como eu ia, ele tornava a alcançar-me, para daí a pouco recomeçar.

— Pois, amigo! Não lhe conto nada! Quando botei o pé em terra na ramada da estância, ao tempo que dava as — boas tardes! — ao dono da casa, aguentei um tirão seco no coração… não senti na cintura o peso da guaiaca!

Tinha perdido trezentas onças de ouro que levava, para pagamento de gados que ia levantar. E logo passou-me pelos olhos um clarão de cegar, depois uns coriscos tirante a roxo… depois tudo me ficou cinzento, para escuro…

Eu era mui pobre — e ainda hoje, é como vancê sabe… —; estava começando a vida, e o dinheiro era do meu patrão, um charqueador, sujeito de contas mui limpas e brabo como uma manga de pedras…

Assim, de meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam:

— Então patrício? Está doente?

— Obrigado! Não senhor, respondi, não é doença; é que sucedeu-me uma desgraça: perdi uma dinheirama do meu patrão…

— A la fresca!…

— É verdade… antes morresse, que isto! Que vai ele pensar agora de mim!…

— É uma dos diabos, é… mas; não se acoquine, homem!

Nisto o cusco brasino deu uns pulos ao focinho do cavalo, como querendo lambê-lo, e logo correu para a estrada, aos latidos. E olhava-me, e vinha e ia, e tornava a latir…

Ah!… E num repente lembrei-me bem de tudo. Parecia que estava vendo o lugar da sesteada, o banho, a arrumação das roupas nuns galhos de sarandi, e, em cima de uma pedra, a guaiaca e por cima dela o cinto das armas, e até uma ponta de cigarro de que tirei uma última tragada, antes de entrar na água, e que deixei espetada num espinho, ainda fumegando, soltando uma fitinha de fumaça azul, que subia, fininha e direita, no ar sem vento…; tudo, vi tudo.

Estava lá, na beirada do passo, a guaiaca. E o remédio era um só: tocar a meia rédea, antes que outros andantes passassem.

[…]

NETO, J. S. L. Trezentas Onças. Releituras, 1996.

No texto lido, há palavras que podem causar estranheza ao significado. Anote as expressões cujos
significados você desconhece. Que tal tentar descobrir, observando os períodos/frases em que elas
aparecem? Caso não seja possível descobrir os significados, consulte o dicionário físico ou online.

2. Após a leitura e análise do excerto do conto, responda às perguntas a seguir:

a. Releia esse trecho:

“Pois, amigo! Não lhe conto nada! Quando botei o pé em terra na ramada da estância, ao tempo que dava as — boas tardes! — ao dono da casa, aguentei um tirão seco no coração… não senti na cintura o peso da guaiaca!”

Esse trecho se refere a uma das falas do narrador-personagem. Como pode ser caracterizada essa
personagem, a partir da linguagem utilizada por ela?

b. Pelas características da personagem que narra a história, em que lugar do Brasil se passam os fatos narrados? Justifique.

c. Que palavras ou expressões do texto permitem chegar à conclusão de que “cusco brasino” se refere a esse animal? Como o animal é descrito?

3. Vamos analisar os elementos que constituem a estrutura do conto?

a. Lugar:

b. Tempo:

c. Personagens:

d. Narrador:

e. Enredo:

4 Agora imagine um final para o conto, relacionando esse final ao título do texto, de modo que evidenciem o entendimento sobre o significado das “onças” no texto.

HORA DA PESQUISA

Com o apoio de pessoas da família, vizinhos, amigos ou outros, vamos buscar histórias pessoais e relatos de situações vividas ou imaginadas, em que o contato com a natureza seja parte do enredo. Os textos deverão ser apresentados, na aula 3, de forma oral ou gravados em áudios que serão postados no grupo de Whatsapp ou blog da turma. Para isso, é preciso pedir a pedir a autorização dos entrevistados, explicando a eles que se trata de uma atividade da escola, sendo que o áudio poderá ser compartilhado com outras pessoas e, por isso, apresentaremos um termo de autorização.
A abordagem dos entrevistados deve ser feita com cuidado e zelo. Assim, caso haja uma situação em que possa causar qualquer tipo de constrangimento à pessoa, será melhor recomeçar a gravação.

Caso não seja possível o uso do celular, você poderá apenas ouvir a história e, depois, replicá-la oralmente. É importante que os textos apresentem o local onde se passa a narrativa, como um ambiente da natureza. Tal aspecto é importante para que haja uma valorização de ações que promovam a preservação da fauna e flora, advindas de qualquer pessoa, como a preservação de nascentes e de animais, principalmente, aqueles típicos do território paulista que estão em extinção.
Não se esqueça de agradecer à pessoa que colaborou com você!

Aproveite e confira nosso TOP 10 de contos da literatura brasileira: https://www.youtube.com/watch?v=Kftdz1icML8

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