Linguagem

Língua, Linguagem, Cognição e Sociedade

OBJETIVO DE APRENDIZADO

· apreender os conceitos de Língua e Linguagem Verbal em contextos de uso e os conceitos-chave que respaldam os estudos da língua materna na disciplina: modalidades, variações linguísticas, texto e gênero;

· contexto;

· produtor e leitor;

· situação comunicativa

A Língua em Uso

A linguagem humana é o que nos distingue como ser vivo, que pensa e que se comunica para viver em sociedade e permite elaborar e expressar pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, atitudes. Ao lançarmos mão da linguagem, influenciamos e somos influenciados, educamos e somos educados, transformamo-nos e também transformamos o meio em que vivemos.

O que diferencia os humanos de outras espécies de seres vivos é que os homens compreendem os outros de sua espécie como agentes capazes de interagir com eles, o que traz uma dupla vantagem: possibilita que consigam agir colaborativamente; e possibilita, também, o aprendizado cultural
e a internalização de produtos culturais os quais serão legados a outras gerações:

“O uso da Linguagem permite ao homem constituir comunidades em torno de um desejo de viver juntos e institui-se como um poder, talvez o primeiro poder do homem”

(Charaudeau, 2014)

Língua é um produto cultural, histórico, constituída como unidade ideal, reconhecida pelos falantes nativos ou por falantes de outras línguas, e praticada por todas as comunidades integrantes desse domínio linguístico (no nosso caso, os países que compõem a comunidade lusófona)

(BECHARA, 2004, p.37).

Vale lembrar, ainda, que a língua portuguesa é o meio de expressão da cultura de todos os falantes que pertencem à chamada comunidade lusófona, ou seja, aqueles que usam o idioma para se expressar e se comunicar cotidianamente.

Nove países em quatro continentes diferentes: esse é o mundo lusófono, que apesar das diferenças culturais, partilha um mesmo idioma.

  • Angola = 25,02 milhões de habitantes
  • Brasil = 207.435 milhões de habitantes
  • Cabo Verde = 531.725 mil habitantes
  • Guiné-Bissau = 1,926 milhão de habitantes
  • Moçambique = 29.425 milhões de habitantes
  • Portugal = 10,5 milhões de habitantes
  • São Tomé e Príncipe = 198 mil habitantes
  • Timor Leste = 1,230 mil habitantes
  • Guiné Equatorial = 890 mil habitantes

Observe o mapa que assinala os países lusófonos:

Imagem extraída de: https://media.tghn.org/medialibrary/2020/05/Mundo_CPLP.png
Cronologia da Língua Portuguesa

Níveis e Registros da Língua

Em relação às variações, o uso da língua pode ocorrer em dois níveis: o coloquial e o culto, determinados pela cultura e formação escolar, pelo grupo social a que pertencem os usuários e pela situação concreta em que a língua é utilizada.

Além disso, a língua pode ser utilizada em dois registros diferentes: o formal e o informal, que admitem certa escala de graus, indo do mais formal ao mais informal.

Um falante adota, portanto, diferentes níveis e registros da língua ao falar ou escrever, dependendo das circunstâncias em que se encontra: conversando com amigos, escrevendo e-mails pessoais ou profissionais, expondo um tema histórico na sala de aula ou dialogando com colegas de trabalho.

Modalidades da Língua: A Fala e a Escrita

Em relação às variações, o uso da língua pode ocorrer em dois níveis: o coloquial e o culto, determinados pela cultura e formação escolar, pelo grupo social a que pertencem os usuários e pela situação concreta em que a língua é utilizada. Além disso, a língua pode ser utilizada em dois registros diferentes: o formal e o informal, que admitem certa escala de graus, indo do mais formal ao mais informal. Um falante adota, portanto, diferentes níveis e registros da língua ao falar ou escrever, dependendo das circunstâncias em que se encontra: conversando com amigos, escrevendo e-mails pessoais ou profissionais, expondo um tema histórico na sala de aula ou dialogando com colegas de trabalho.

Em geral, os falantes acreditam que usar a língua no nível culto é de fato a única variação válida, é o ideal, ocorrendo o nível coloquial como uma deturpação desse nível. Muitos falantes creditam apenas àqueles que “não sabem a língua” o nível coloquial, o que acontece em decorrência de sua falta de instrução

(PRETI, 2003; ANTUNES, 2007)

Variações Linguísticas e a Norma urbana de prestígio ou Norma Padrão

A variação regional é determinada pela localização dos falantes de um certo espaço geográfico, onde moram, onde nasceram. É possível fazer a relação entre a região de origem de um falante e marcas específicas que utiliza quando se expressa na língua.

Imagem extraída de: https://super.abril.com.br/wp-content/uploads/2018/07/sotaquesdobrasil_mapa.png

No Brasil, reconhecemos facilmente se estamos falando com um mineiro, um carioca, um nordestino pela pronúncia que faz de alguns sons da língua, pela entonação que dá às frases, pelo vocabulário que usa, pela sintaxe que emprega na construção das frases. Os falares regionais brasileiros são riquíssimos em suas diferenças, não é mesmo?

Observe no poema a seguir, de Patativa do Assaré – poeta popular nordestino –, as marcas de variação regional e social, e veja como elas podem se transformar em poesia:

O Poeta da Roça
Sou fio das mata, canto da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mío.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argun menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.
Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.
(…)

Texto e Contexto: O Uso Situado da Língua

Concepção de Texto

Na literatura linguística, Beaugrande (1997) apresenta sete princípios de textualidade que orientam nossa análise para identificar uma sequência de palavras como texto ou não, além de eles servirem como parâmetros para nos certificar, como produtores, se estamos elaborando algo que será identificado como um texto e que tem chances de ser bem-sucedido em seu propósito comunicativo.

Os sete princípios são: a coesão, a coerência, a intencionalidade, a aceitabilidade, a informatividade, a intertextualidade, a situacionalidade. Conheça alguns:

  1. a intencionalidade e a aceitabilidade remetem para a disponibilidade de cooperação dos interlocutores envolvidos na interação verbal: o produtor, de dizer somente o que tem sentido; e o ouvinte ou leitor, de fazer o esforço necessário para processar os sentidos e as intenções expressas pelo produtor.
  2. a situacionalidade é uma condição para que o texto aconteça, pois todo texto ocorre em uma determinada situação comunicativa. Nenhum texto ocorre no vazio, mas em um determinado contexto sociocultural. Se pensarmos em uma palestra, ela faz parte de uma programação de um evento e será determinada por ela em seus detalhes: tema, duração, público a quem se dirige etc.
  3. a informatividade diz respeito ao grau de novidade e de imprevisibilidade que o texto traz dentro de uma dada situação comunicativa ou contexto.
  4. a intertextualidade – diz respeito à inserção, em um determinado texto, de outro(s) texto(s) já existente(s), já em circulação. Fazemos isso diretamente em citações teóricas, por exemplo em monografias, textos didáticos ou dissertações; também podemos fazê-lo de maneira mais indireta quando inserimos em um texto, um trecho, uma frase que remete a outro texto.

Contexto

A partir da noção que estabelecemos de texto, em que estão imbricados aspectos culturais, sociais e cognitivos, podemos compreender melhor a noção de contexto e sua importância para a produção de sentidos.

Em síntese, a noção de contexto engloba:
• as situações comunicativas, o tempo e o lugar;
• as determinações e condições socioculturais e históricas;
• as representações sociais compartilhadas (conhecimentos prévios e vivências dos interlocutores);
• as relações dos participantes (médico/paciente; patrão /empregado);
• os objetivos/propósitos comunicativos (transferir ou buscar conhecimentos; provocar o riso; aconselhar; orientar).

Os Gêneros e as Esferas de Atividade

Gêneros: são textos materializados que encontramos em nossa vida diária, que estão relacionados a determinadas esferas de atividade, “que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição específicos” (MARCUSCHI, 2010, p.25).

São tipos relativamente estáveis de enunciados produzidos pelas mais diversas esferas da atividade humana. Os textos são produtos da atividade de linguagem em funcionamento permanente nas formações sociais.

Neste espaço você encontra uma relação dos diferentes gêneros textuais e as esferas de circulação deles.


Cotidiana: adivinhas, álbum de família, exposição oral, anedotas, fotos, bilhetes, música, cantigas de roda, parlendas, carta pessoal, cartão, provérbios, cartão-postal, quadrinhas, causos, receitas, comunicado, relatos de experência vividas, convites, trava-línguas, curriculum vitade.

Literatura/artística: autobiografia, letras de música, biografias, narrativas de aventura, contos, narrativas de enigma, contos de fadas, narrativas de ficção, contos de fadas contemporâneos, narrativas de humor, crônicas de ficção, narrativas de terror, escultura, narrativas fantásticas, fábulas, narrativas míticas, fábulas contemporâneas, paródias, haicai, pinturas, histórias em quadrinhos, poemas, lendas, romances, literatura de cordel, tankas, memórias, textos dramáticos.

Científica: artigos, relato histórico, conferência, relatório, debate, palestra, verbetes, pesquisas.

Escolar: ata, relato histórico, cartezes, relatório, debate, regrado, relatos de experiências, diálogo/discussão argumentativa científica, exposição oral, resenha, júri simulado, resumo, mapas, seminário, paestra, texto argumentativo, pesquisas, texto de opinião, verbetes de enciclopédia.

Imprensa: agenda cultural, fotos, anúncio de emprego, horóscopo, artigo de opinião, infográfico, caricatura, manchete, carta ao leitor, mapas, mesa redonda, cartim, notícia, charte, reportagens, classificados, resenha crítica, crônica jornalística, sinopses de filmes, editoriais, tiras, entrevista (oral e escrita).

Publicitária: anúncio, músicas, caricatura, paródia, cartazes, placas, comercial para TV, publicidade comercial, e-mail, publicidade institucional, fôlder, publicidade oficial, fotos, texto político, slogan.

Política: abaixo-assinado, debate regrado, assemmbleia, discurso político “de palanque”, carta de emprego, fórum, carta de reclamação, manifesto, carta de solicitação, mesa redonda, debate, panfleto.

Jurídica: boletim de ocorrência, estatutos, constituição brasileira, leis, contrato, ofício, declaração de dieitos, procuração, depoimentos, regimentos, discurso de acusação, regulamentos, discurso de defesa, requerimentos.

Produção e consumo: bulas, relato histórico, manual técnico, relatório, placas, relatos de experiências científicas, resenha, resumo, seminário, texto argumentativo, texto de opinião, verbetes de enciclopédias.

Midiáticablogreality showchattalk show, desenho animado, telejornal, e-mail, telefonemas, entrevista, torpedos, filmes, videoclipes, fotoblog, videoconferência, home page.

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