Leitura e Escrita: Processos Dinâmicos, Ativos e Colaborativos

OBJETIVO DE APRENDIZADO

• O que é Ler?
• O que é escrita?
• A Concordância Verbal: um Recurso Estratégico para a Leitura e a Escrita

Os limites da minha linguagem são os limites de meu mundo.

(Ludwig Wittgenstein)

A maneira prazerosa de aprender sobre a leitura e a escrita, e de constatar a importância desses dois processos na vida de todos nós.

O que é Ler?

É importante distinguir informação de conhecimento. A informação é adquirida sempre que estamos em contato com as coisas do mundo. Quanto mais atentos ficarmos às informações, para estabelecer relações com os conhecimentos que já possuímos, mais conhecimento e melhor desempenho teremos, tanto acadêmico quanto profissional.

A leitura se constitui como uma habilidade decisiva para a construção do conhecimento.

Imagem extraída de <https://antonioarchangelonews.files.wordpress.com/2021/04/371d7-59d572_26e045619b5447f89072086080a56b1cmv2.jpg>

É muito comum as pessoas dizerem que não gostam de ler e que não leem com frequência. Para muitas pessoas, ler é apenas decodificar a mensagem para depois, reproduzi-la. Para outros, a dificuldade de memorizar tudo o que leem leva ao distanciamento do ato de ler e consequente rejeição da leitura. Alguns acreditam que não se produz conhecimento enquanto não houver maturidade para isso.

Ler é a chave do conhecimento; tanto a leitura de um texto quanto a leitura da realidade mais ampla: a do mundo. Para Freire (1985, p.22),

“a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquela”

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Leitura: Um Processo Ativo e Dinâmico

A diferença entre um leitor proficiente, isto é, um leitor competente, que possui um bom aproveitamento sobre o que lê, e um leitor inexperiente, não reside apenas no processo de estabelecer sentidos a partir do texto, mas na maneira como cada um deles dinamiza esse processo, tanto desenvolvendo estratégias (de seleção, de predição e de inferência) como também utilizando os conhecimentos já adquiridos, ou seja, os conhecimentos prévios para compreender o que lê.

A Importância dos conhecimentos prévios para a leitura

Nossas leituras dependem, portanto, em grande parte, dos conhecimentos que já possuímos, ou seja, de nossos conhecimentos prévios. As leituras que precedem a leitura em questão, os conhecimentos adquiridos de maneira formal, ou não, são fatores que possibilitam uma boa interpretação e compreensão do texto e a atribuição de sentidos ao que se lê.

Um médico, por exemplo, tem mais facilidade em ler e compreender os efeitos colaterais explicitados em uma bula de remédio do que um leigo, pois estudou sobre o assunto e o conhece. Além disso, o sentido de um texto não é construído somente por meio de elementos explícitos; a compreensão constitui um processo que requer um cálculo mental. As inferências constituem um exemplo prototípico de cálculo mental, pois elas são o processo pelo qual o leitor adquire informação partindo de informações textuais explicitamente apresentadas e levando em conta o contexto.

Podemos identificar, portanto, pelo menos três grandes conjuntos de conhecimentos prévios: o conhecimento linguístico, o conhecimento textual e o conhecimento de mundo.

O conhecimento linguístico representa a competência do falante em relação à gramática de sua língua materna que, por sua vez, permite ao leitor perceber a maneira pela qual o texto foi tecido: sua ligação interna, sua textualidade, sua unidade. É um dos tipos de conhecimento do qual o indivíduo lança mão, por exemplo, quando se depara com uma situação de ambiguidade. Além disso, esse tipo de conhecimento nos permite reconhecer quando alguém está falando uma língua que não é a língua portuguesa. Ao ler uma frase como: “Questa bambina non é mai tornata a casa!”, sabemos que ela não está escrita em português, mesmo tendo reconhecido a palavra casa.

O conhecimento textual é construído pela convivência com diferentes textos em diferentes situações. Kleiman (1997) ressalta que “quanto mais conhecimento textual o leitor tiver, quanto maior a sua exposição a todo tipo de texto, mais fácil será a sua compreensão”. E o conhecimento de diferentes gêneros também é essencial, pois é o que nos permite reconhecer um conjunto de enunciados como
um conto e não como uma receita, por exemplo.

O conhecimento de mundo corresponde ao conjunto de conhecimentos que o leitor adquiriu em seu processo de aprendizado formal e informal, incluindo também suas experiências pessoais. É fato, por exemplo, que indivíduos de uma mesma cultura compartilham conhecimentos que foram adquiridos, na maioria das vezes, informalmente.

Estratégias de leitura na esfera de atividade acadêmica

Antes de começar a ler o texto propriamente, explore-o um pouco, de forma global, a fim de apreender, brevemente, a imagem do documento escrito:
· Observe o que circunscreve o texto: os outros textos e/ou as ilustrações que estão em torno dele.
· Tome consciência da extensão do texto (quantas páginas) a fim de planejar o tempo que despenderá na leitura (não adianta, por exemplo, deixar para ler um texto de 20 páginas trinta minutos antes do início da aula para a qual o professor pediu a leitura).
· Tome conhecimento do título do texto e dos subtítulos, pois eles fornecem pistas sobre o assunto que será desenvolvido.

· Observe a apresentação e o estilo: uma expressão em negrito, por exemplo, pode indicar um elemento para o qual o autor quer chamar a atenção dos leitores; um texto em itálico ou entre aspas pode indicar uma citação ou uma ressalva por parte do produtor do texto.
· Procure identificar quem é o autor do texto e informe-se sobre ele.
· Observe o gênero do texto, pois os gêneros têm características próprias de organização de acordo com a sua função

Para a elaboração do plano, siga os seguintes passos:


· Extraia de cada parágrafo as ideias ou expressões essenciais e resuma-as em uma palavra-chave ou em um título.
· Extraia as ideias secundárias ou complementares e também as resuma em uma palavra-chave ou em um subtítulo, logo abaixo das ideias principais.
· Anote os elementos de articulação lógica entre cada ideia importante a fim de conservar a organização global do texto.

O que é escrita?

É importante ter claro que, da perspectiva que tomamos a escrita, não a vemos como uma técnica, da mesma forma que não tomamos a língua como código e o leitor/produtor de textos como um reprodutor de discursos.

Na concepção de escrita que adotamos aqui, o sujeito, produtor de textos, é um ator social, o que o torna um sujeito complexo, determinado e mobilizado do ponto de vista sociocultural para atuar por meio da linguagem.

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