pesquisadores assumem GT de Avaliação da abrasco

O Grupo Temático de Monitoramento e Avaliação de Programas, Serviços, Sistemas e Políticas de Saúde – GT de Avaliação da Abrasco tem nova coordenação: Elen Castanheira, Marly Cruz e Juarez Furtado. O GT  tem o objetivo de desenvolver o campo de monitoramento e da avaliação em saúde no país, por meio de um processo integrativo e incentivador de praticas, técnicas e interlocução entre os membros ativos da Associação.

Em carta enviada aos demais membros, a nova coordenação enfatizou os desafios e preocupações. Confira na íntegra:

Sobre a coordenação do Grupo Temático de Monitoramento e Avaliação de Programas e Políticas de Saúde


Indagar sobre a pretensão de coordenar, por dois anos, o grupo temático de monitoramento e avaliação de programas e políticas de saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) envolve questões de ordem pessoal, institucional e política. Sabemos das inevitáveis e necessárias demandas que irão se insinuar cotidianamente, algumas previsíveis e outras não, mas que vão se impor pela crônica instabilidade de nossas instituições nos últimos
anos. Igualmente, sabemos da delicadeza e complexidade representada pelo processo eleitoral, de nível federal, previsto para o final do ano que vem. E, finalmente, mas não menos importante, sabemos o que significa assumir especial protagonismo frente a um grupo com grandes acúmulos técnico, científico e político – e os desafios aí presentes.
No entanto, apesar do que acabamos de dizer, nos sentimos tentadas e tentado a apresentar a nossa disponibilidade em assumir a coordenação deste nosso GT, no período compreendido entre agosto de 2021 e agosto de 2023. Talvez por identificarmos, justamente diante de toda essa complexidade, a oportunidade de contribuirmos com a nossa área, em particular, e com a sociedade brasileira, em geral, neste momento de nossas carreiras. Desse modo, comporíamos um trio articulado entre si e, por sua vez, também estreitamente ligado aos demais integrantes do GT, de tal modo a assegurar a interlocução e a circulação de palavras e afetos, garantindo que nossas reflexões e ações reflitam, da maneira mais fiel possível, a riqueza, diversidade e diferenças que moldam este GT.
Há quinze anos o GT-Avaliação da Abrasco, como é comumente chamado, vem se desdobrando em esforços de consolidar a área no interior da Saúde Coletiva, em nosso país, de diversas maneiras. Não é tarefa fácil, pois diferentemente de outros temas, a avaliação é atividade e preocupação que atravessa toda e qualquer iniciativa, como os temas da violência e saúde, de gênero, questões étnico-raciais, de alimentação e nutrição, dentre outros.
Igualmente, muitas temáticas de outros GT podem eventualmente se tornarem objeto de interesse de integrantes de nosso GT, como o envelhecimento, a deficiência e a acessibilidade etc. Reconhecemos que um dos trabalhos que vem sendo desenvolvido por esse grupo temático é justamente aquele de conferir identidade e fronteiras ao nosso objeto de interesse, sem perder a interação e o caráter inexoravelmente interdisciplinar e inter-temático da avaliação. Tarefa à qual se tem garantido êxito, na medida em que a área vem, cada vez mais, se consolidando como pólo de elaboração e práticas na Saúde.
É necessário seguir zelando por esse desenvolvimento e consolidação da área. Este zelo, no entanto, implica em seguirmos atentos e dispostos a separar o trigo do não trigo. Ao crescimento e legitimidade da avaliação na sociedade contemporânea, por um lado, tem havido tentativas de sua sujeição e manipulação pelas muitas formas de gerencialismos e outros expedientes do neoliberalismo, por outro. Parece ser tarefa que nos une a todos deste GT a
preocupação de que os processos avaliativos em saúde sejam – e cada vez mais – oportunidade de qualificação de nossas ações em favor do cuidado, da empatia com a dor, com o sofrimento, com as limitações e vulnerabilidades alheias, defendendo sempre a vida e os programas, serviços e políticas públicas originados justamente com esses objetivos. Uma avaliação a favor dos usuários e que também não seja mais um expediente de opressão e manipulação de trabalhadores e gestores.
Esperamos que esse verdadeiro tesouro de formulações e práticas, que colegas e membros deste GT vêm desenvolvendo, seja cada vez mais compartilhado, que possamos conhecer cada vez mais e melhor o pensamento e a produção nacional na avaliação em saúde – o que poderia constituir uma das formas de enfrentamento aos abusos da avaliação que acabamos de citar, além de seguir na consolidação de nossa área de interesse. Nesse sentido, encontros como este que tivemos no dia 18/06 poderiam se multiplicar ao longo dos anos, de tal modo a garantirmos espaços sistemáticos para a troca de idéias, produções e reflexões de ordem científica e política. Conforme a evolução de nossa situação atual, quem sabe até um dos encontros venha mesmo a ser presencial…!
Nossa tarefa pela frente não é simples e nossos desafios são enormes. Se uma das formas de entender a avaliação seria “olhar para o que aconteceu com o encontro de nossos planos com a realidade” pode ser que uma de nossas tarefas seja, em breve, justamente sistematizar o que uma realidade destruidora tem feito com nossas propostas e com o nosso povo. De novo, a avaliação poderá ajudar a olhar para o que aconteceu e, ainda que modestamente, fornecer suas contribuições para a construção e a reconstrução da sociedade que queremos e merecemos.


Elen Castanheira, Marly Cruz, Juarez Furtado – Junho de 2021

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