A Didática e a sua Relação com a Educação

Didática da Antiguidade à Idade Média

A palavra didática surgiu quando os adultos começaram a participar do processo de aprendizagem das crianças e dos jovens de uma forma planejada e direcionada, diferentemente das formas de intervenção instantânea que ocorriam anteriormente.

Ao estabelecer uma intenção na forma de ensinar, ou seja, uma ação pedagógica, a escola começou a se constituir como um local de práticas de ensino, passando a ser sistematizadas conforme níveis, respeitando as necessidades de cada criança, as suas possibilidades e o seu ritmo de aprendizagem (LIBÂNEO, 1994).

Arte e técnica de orientar a aprendizagem, a didática (do grego didaktike [tékhne], [arte] de instruir, de ensinar ), divide-se em duas partes:

COMÊNIO

Quando se fala de uma escola em que as crianças são respeitadas como seres humanos dotados de inteligência, aptidões, sentimentos e limites, logo pensamos em concepções modernas de ensino. Também acreditamos que o direito de todas as pessoas – absolutamente todas – à educação é um princípio que só surgiu há algumas dezenas de anos. De fato, essas idéias se consagraram apenas no século 20, e assim mesmo não em todos os lugares do mundo. Mas elas já eram defendidas em pleno século 17 por Comênio (1592-1670), o pensador tcheco que é considerado o primeiro grande nome da moderna história da educação. O educador tcheco João Amós Comenius ou Jan Amos Komenský, seu nome original, nasceu em 28 de março de 1592, na Cidade de Uherský Brod (ou Nivnitz), na Moravia, região da Europa Central pertencente ao
Reino da Boêmia (antiga Tchecoslováquia). Seus pais Martinho e Ana, também eslavos, eram cristãos adeptos dos Irmãos Morávios, uma seita cuja história remonta aos tempos de Jan Huss, líder religioso muito popular no século XV, tendo sido padre, professor e reitor da Universidade de Praga. A seita dos Irmãos Morávios, organizada em 1467, era uma das mais rígidas em doutrina e conduta, destacando-se pelo extremado apego às Sagradas Escrituras, pela humildade e pela profunda piedade, impondo a seus seguidores vida austera, com preces diárias e leitura cotidiana da Bíblia. E diferentemente do costume da época, adotavam como língua literária o checo em vez do latim. (WALKER, 2001)

Em 1629, com a publicação da obra Didática magna, escrita por João Amós Comênio, que essa expressão se consagrou como tal; Baradel (2007, p. 11) enfatiza que

“[…] inicialmente (século XVII), a didática tinha seus pressupostos calcados na causa da Reforma Protestante, sendo um meio de luta contra o modelo de ensino da igreja católica medieval, ou seja, deveria ser um instrumento de libertação”.

Baradel (2007, p. 11)

Nesta época, ocorreram inúmeras mudanças nos campos cultural e científico, de modo que sabemos do desenvolvimento das Ciências, da observação e experimentação científica. Houve a perda de poder da Igreja Católica por conta da Reforma Protestante, do surgimento de uma filosofia caracterizadora do período histórico e conhecida como iluminismo.

A partir desse método, Comênio propôs cinco passos para que fosse executado: preparação do aluno, apresentação do conteúdo, assimilação do conteúdo, generalização e aplicação. Não podemos esquecer que esse método seguia os pressupostos tradicionalistas da época em que foi criado.

Os Filósofos Pós-Iluministas na Contribuição da Orientação Pedagógica para a Instrução de Crianças

Em meio a esse processo, um pensador chamado Jean-Jacques Rousseau buscou interpretar os anseios do período, propondo uma nova forma de ensinar, a qual se fundamentava nas reais necessidades e nos interesses imediatos das crianças. Rousseau ficou conhecido como o primeiro filósofo do romantismo, por meio da publicação de seu livro intitulado Contrato social. Nessa obra, Rousseau defende a ideia de que o homem (ser humano) é inatamente bom e tem o seu comportamento corrompido pela sociedade. Além desse livro, o pensador é autor de inúmeras obras sobre poesia, música e uma das mais notáveis autobiografias da literatura europeia. Outra publicação conhecida de Rousseau e de fundamental importância para a educação é intitulada Emílio, na qual o autor explicita o caráter corruptor da sociedade.

Rousseau, podemos ressaltar a seguinte: o ensino das crianças deve ser pautado em suas necessidades e seus interesses atuais, sendo que antes que lhe sejam ensinadas as Ciências, sejam-lhe despertados o interesse pelo estudo. Para esse autor, o principal professor é a natureza, as experiências, os sentidos, pois é o contato com o mundo que despertará o seu interesse e, consequentemente, as suas potencialidades naturais.

Apesar de ter formulado tais pensamentos e os reproduzido por meio de suas obras, Rousseau não os colocou em prática; tal tarefa couber a outro pedagogo chamado Pestalozzi. Educador de origem suíça, viveu entre os anos de 1746 e 1827, trabalhando do início ao fim de sua vida no campo educacional. Na perspectiva de Libâneo (1994, p. 60),
o filósofo Pestalozzi “[…] deu grande importância ao ensino como meio de educação e desenvolvimento das capacidades humanas, como cultivo do sentido, da mente e do caráter”.

A partir das ideias elaboradas por Comênio, desenvolvidas por Rousseau e colocadas em prática por Pestalozzi, muitos outros educadores foram influenciados. Entre os mais importantes conheceremos Johann Friedrich Herbat, pedagogo de origem alemã, que viveu entre os anos de 1766 e 1841. Herbat foi um dos principais autores que influenciaram a pedagogia conservadora (tradicional).

Educar o homem para Herbat consistia em instruí-lo “[…] para querer o bem, de modo que aprenda a comandar a si próprio […]”. O professor assume papel primordial, sendo considerado um “arquiteto de mentes”.

Herbat também buscou desenvolver um método de ensino que fosse único e que estivesse de acordo com as leis psicológicas do conhecimento. Nesse contexto, o educador desenvolveu quatro passos a serem seguidos:

Clareza: A preparação e apresentação da matéria deveriam ser claras e completas;
Associação: Relacionar as ideias antigas às novas;

Sistematização: Os conhecimentos deveriam ser sistematizados para se obter a generalização;
Método: Referente ao uso de conhecimentos adquiridos por meio de exercícios.

Princípios da Didática

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