Método Camões: Cuidado de si

Segundo ano letivo chegando ao fim, é triste vê-los partir para uma nova jornada. É um sentimento melancólico, penso se não fiz o suficiente, mas em termos quantitativos atingi meu planejamento estratégico do começo do ano. Só não sei se é o suficiente, números são frios para impactar a vidade deles.

Por outro lado, aprendi mais que ensinei. É impressionando o impacto da educação na fica de quem se propõe ensinar algo. Mas receio que entre no “automático” sendo levado pela correnteza se permanecer muitos anos nesse nobre ofício. Também afirmou, categoricamente, não haverá um novo país sem uma reforma profunda na educação básica. Essa é a realidade. Enquanto a escola continuar alienando, o país continuará rastejando a procura de um salvador da pátria.

Ainda penso naquele fátidico dezembro de 2020, quando uma voz interna passou a exigir que abandonasse tudo para dar aulas. Sair do SUS e mergulhar na educação foi um aprendizado inestimável. Já são cinco anos de dedicação as políticas públicas, acredito que seja esse meu papel no mundo atual. Entregar novas realidades para construção de um país mais desigual.

Nada, porém, é simples, tudo muito complexo, mas é preciso ter coragem para mudar uma prática de violência institucional patrocinada pelo magistério público. No chão da escola, o tecido social convulsiona e é lá que o professor é o primeiro agente institucional para legitimar a violência estatal. Ou seja, independente da sua visão de mundo, é na escola e nos postos de saúde (para incluir a saúde) que o tecido social desigual e violento convulsiona. É lá que as tensões se materializam. É preciso cuidar de quem cuida… Há um processo violento de embrutecimento dos atores, um processo de asujeitamento, um processo onde os oprimidos, passam querer e agir como opressores.

Nese segundo semestre, com o “sistema” pronto, preferi fazer algumas experiências com as salas presenciais e com a postagem das reflexões, e até que ponto elas podem se constituir como tecnologias de si, no sentido de auxíliar os alunos no processo de contrução de si mesmo.

O índice de alunos que chegaram nesse estágio foi de 30%. Nem todos os alunos participaram ativamente, nem tudo correu dentro do previsto. Há muita desiguladade, há cobrança daqueles que estão no topo das habilidades, no sentido de exigir maiores feitos, avanços e construções.

Há uma expressiva melhora na oralidade, na escrita e na expressão dos que se envolveram nesse processo, mas o método qe proponho não é o salvador da pátria. Volto a registrar, a quantidade de reflexões deixadas nos sites do projeto deveriam passar por um criterioso processo de aferição e análise.

Até que ponto, no momento que o aluno passa a registrar sua rotina e suas primeiras reflexões, o cuidado de si se instala dentro de seu peito? Até que ponto o processo de letramento pode caminhar junto com a criação dessa tecnologia de si? Vi e registrei muitos avanços, desde questão de gênero e sua construção, como reflexões severar sobre o processo de aprendizagem. Isso me levou a alguns entraves, sobretudo, em relação ao momento que os alunos passaram a criticar algumas aulas e professores. O que me colocou em situações complicadas, preferi, nesses casos, omitir o nomes dos professores.

Mas quanto mais o despertar fosse se concretizando, mais ácidas as críticas.

Outro impasse que quero registrar é o tempo perdido com a burocracia e índices que devem ser totalmente reformulados, pois aferem tão somente a habilidade do aluno em fazer cópias com o uso da internet, o que não deixa de ser um avanço. Por outro lado, também foquei muito tempo no processo de construção de uma leitura crítica, lendo textos, colocando trechos, criando uma rotina e leitura e escrita até então inexistêntes.

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